sábado, 21 de setembro de 2013

AULA 5- O HOMEM AO NATURAL

A aula teve início com a apresentação da canção “Como dois animais”, de Alceu Valença seguido da leitura de um fragmento da obra “O cortiço” de Aluísio Azevedo. A turma teve a oportunidade de debater a temática apresentada em ambas às obras, assim como relacioná-las as marcas do Naturalismo que foram organizadas por meio um resumo geral, contendo as principais características do movimento.

TEXTO 1: COMO DOIS ANIMAIS (Alceu Valença)

Uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços
Meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão...
Mas uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços
Meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão...
Foi mistério e segredo
E muito mais
Foi divino brinquedo
E muito mais
Se amar como
Dois animais...(2x)
Meu olhar vagabundo
De cachorro vadio
Olhava a pintada
E ela estava no cio
E era um cão vagabundo
E uma onça pintada
Se amando na praça
Como os animais...
Uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços
O meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão... (2x)
Foi mistério e segredo
E muito mais
Foi divino brinquedo
E muito mais
Se amar como
Dois animais... (2x)
Meu olhar vagabundo
De cachorro vadio
Olhava a pintada
E ela estava no cio
E era um cão vagabundo
E uma onça pintada
Se amando na praça
Como os animais
Se amando na praça
Como os animais...


TEXTO 2: O CORTIÇO (TRECHO)

“Naquele dia, porém, o estudante apareceu à janela, trazendo nos braços um coelhinho todo branco, que ele na véspera arrematara num leilão de festa. Leocádia cobiçou o bichinho e, correndo para o depósito de garrafas vazias, que ficava por debaixo do sobrado, pediu com muito empenho ao Henrique que lhe desse. Este, sempre com seu sistema de conversar por mímica, declarou com um gesto qual era a condição da dádiva.
Ela meneou a cabeça afirmativamente, e ele fez-lhe sinal de que o esperasse por detrás do cortiço, no capinzal dos fundos.
A família do Miranda havia saído. Henrique, mesmo com a roupa de andar em casa e sem chapéu, desceu à rua, ganhou um terreno que existia à esquerda do sobrado e, com o seu coelho debaixo do braço, atirou-se para o capinzal. Leocádia esperava por ele debaixo das mangueiras.
— Aqui não! disse ela, logo que o viu chegar. Aqui agora podem dar com a gente!...
— Então onde?
— Vem cá!
E tomou à sua direita, andando ligeira e meio vergada por entre as plantas. Henrique seguiu-a no mesmo passo, sempre com o coelho sobraçado. O calor fazia-o suar e esfogueava-lhe as faces. Ouvia-se o martelar dos ferreiros e dos trabalhadores da pedreira.
Depois de alguns minutos, ela parou num lugar plantado de bambus e bananeiras, onde havia o resto de um telheiro em ruínas.
— Aqui!
E Leocádia olhou para os lados, assegurando-se de que estavam a sós. Henrique, sem largar o coelho, atirou-se sobre ela, que o conteve:
— Espera! preciso tirar a saia; está encharcada!
— Não faz mal! segredou ele, impaciente no seu desejo.
— Pode-me vir um corrimento!
E sacou fora a saia de lã grossa, deixando ver duas pernas, que a camisa a custo só cobria até o joelho, grossas, maciças, de uma brancura levemente rósea e toda marcada de mordeduras de pulgas e mosquitos.
— Avia-te! Anda! apressou ela, lançando-se de costas no chão e arregaçando a fralda até a cintura; as coxas abertas.
O estudante atirou-se, sôfrego, sentindo-lhe a frescura da sua carne de lavadeira, mas sem largar as pernas do coelho.
Passou-se um instante de silêncio entre os dois, em que as folhas secas do chão rangeram e farfalharam.
— Olha! pediu ela, faz-me um filho, que eu preciso alugar-me de ama-de-leite... Agora estão pagando muito bem as amas! A Augusta Carne-Mole, nesta última barriga, tomou conta de um pequeno aí na casa de uma família de tratamento, que lhe dava setenta mil-réis por mês!... Se me arranjares um filho dou-te outra vez o coelho!”.

(O Cortiço, Aluísio Azevedo, Cap. VII)

Após os comentários a respeito do material debatido em sala, foi proposta uma atividade de produção textual em que os alunos deveriam observar uma imagem e descrever o que ela representa em cada detalhe de sua composição.

Alguns “olhares” estabelecidos pelos alunos envolvidos no projeto:


Daiana Nunes Leal 3º B

Natureza Humana

Na figura, aparece uma pessoa sobre o lixo, isso reflete uma realidade humana, onde o que os ricos desprezam, muitas das pessoas sem recursos aproveitam, como um meio de sobrevivência. Isso reflete as diferenças sociais.
A luz que é refletida sobre essa pessoa da figura significa que ainda há uma luz, ou seja, uma esperança dessa situação mudar para melhor. A figura está em preto e branco para ilustrar melhor a situação precária desse ser humano. Situação essa de pobreza e de indiferença, ao que se compara a um animal.


Digelma Lira dos Santos 3º A

Vejo um homem, em meio a muito de lixo. Próximo a ele está escuro, ou melhor, preto mesmo, só que lá no fim da imagem está um clarão. Isso significa que ele está em meio as trevas e, o lixo, as atitudes dele, podem ter levado ele a essa situação.
A imagem remete a ideia de descaso da humanidade e o sofrimento das pessoas que são levadas para esse lugar.


Salomão Sousa 3º A

A imagem representa um homem morando no meio do lixo, abandonado, isolado, mas à frente dele há uma solução, uma esperança, um meio de sair, de mudar de vida, ou seja, está desprezado, fora do mundo social, está jogado como se fosse um lixo, com apenas um meio de sair: como lixo.


Érica Priscila 3º A

A imagem mostra um homem no meio do lixão, e a falta de consciência das pessoas  mostra a quantidade de lixo que vai demorar anos e anos para se decompor.
Essa imagem mostra dois lados: o escuro e a luz: a luz o mostra tendo fé, olhando para cima, tendo esperança que algum dia essa agonia, sofrimento vai acabar. E o escuro mostra solidão, desprezo, tendo esperança que mude essa dura realidade.


Jéssica Chaves 3º A

Este homem está sentado no meio do lixão porque ele está fazendo parte desse meio. Há um lado escuro e outro claro, mas ele está fazendo parte do lado escuro, isso pode trazer problemas psicológicos para ele, fazendo com que ele se sinta um lixo também, um desprezado, algo sem valor.


Ana Carolina 3º B

A imagem mostra um homem solitário que se encontra em meio a um lixo, olhando a luz.
Ele está ao natural, sem ânimo para viver, o plano de fundo a perspectiva da imagem é só o lixo que tem e nada mais.
O homem parece que está em uma situação muito difícil e se recorreu ao lixo, onde não se encontra ninguém para poder pensar melhor sobre a sua vida e poder refletir o que realmente ocorreu com ele e na sua vida.


Daysla Cardoso de Sousa 3º A

A imagem mostra um homem sentado no meio de muitos lixos. Representa um homem pobre e de uma vida de tristeza.
Mostra também que ele é uma pessoa muito solitária, sozinha na escuridão. Mas também podemos observar que no fundo da imagem há uma luz, que mostra que no meio disso tudo ainda há esperança para ele.


Joelson Gomes 3º B

A imagem mostra um homem da sociedade moderna perante a uma imensa “pilha” de lixo, e uma luz forte afastando a escuridão que o lixo traz.
 Lembra o inverso de uma paisagem, onde o lixo seria o mar meio escuro, e a luz seria o sol, fazendo um reflexo no mar com sua luz radiante.
Poderia ser um sinal, a luz abrindo caminho ao humano, tirando ele da escuridão, e mostrando o caminho para a luz.
A cor monocromática, preto e branco, dá sentido de tristeza, solidão, ou até um pesadelo onde o mundo seria consumido pelo lixo e a luz motivaria um só ser para acabar com a tristeza, solidão.
Pouca preocupação, ou falta de força para impedir a poluição, e sempre a luz é um fator positivo em relação a buscar um meio de parar a poluição.
            A roupa do humano parece ser a de um jovem, que no dia-a-dia é fácil ver e perceber que é da atualidade.
A imagem pode trazer um sentido de religiosidade, em que a pessoas seria uma pessoa sem fé, e o lixo seria o mal que sempre cerca uma pessoa sem fé, e a luz seria Deus, tentando salvar ou mostrar o caminho para essa pessoa.


Dinamara Viana Freitas 3º B

Descontrole

Essa imagem, sendo analisada inicialmente, passa o sentimento de tristeza, descaso. Mostra claramente a desigualdade social.
Ele sobrevive dos restos de uma sociedade hipócrita, preconceituosa e que não dá a mínima para o que está acontecendo à sua volta.
Alguns têm paisagens lindas para contemplar, como: praias, bosques, florestas e bons lugares para frequentar. O que esse homem tem é um “falso horizonte” cheio de lixo sendo enterrado junto com os seus sonhos.
Sem nenhuma expectativa de vida, ele continua nessa triste realidade que talvez não possa mudar.


Allan Lima de Sousa 3º B

Apenas Lixo

Essa imagem mostra alguém ali contrastando sua pessoa em meio a uma imensidão de lixo, e a questão da imagem está em preto e branco é para passar a sensação de tristeza, porém com uma forte luz ao fim da imagem, que no caso seria o sol, que não traz uma luz de esperança, mas apenas esquenta o fedorento lixo que ali está ao redor daquela pessoa, que parece estar observando e pensando.
O que ele faz ali, porque ele faz parte daquilo, isso retrata bem a realidade da humanidade, uns vivem com muito, e outros, a apenas o resto: o lixo.

“Onde estiver, seja lá como for, tenha fé, porque até no lixão nasce uma flor” (Racionais Mcs).


Jessé Lima de Sousa 3º B

Essa imagem retrata várias coisas em relação ao homem no meio natural, como a desigualdade entre as pessoas onde acontece a separação de classe; o abandono da sociedade, onde uma pessoa como ele não deve viver; o sofrimento que o homem passa como a falta de alimentos; a luz como a última esperança para uma vida melhor.


Adriano Lucena Sousa 3º A

O comportamento humano

A imagem apresenta um homem que está sentado, observando o mundo, o que está se passando, como percebemos, é o caso da poluição. Ele é um homem que só observa e não faz nada para resolver o problema.
Este homem também está observando o que ele e outras muitas pessoas podem ter feito com o ambiente em que convivem, percebemos que a luz do sol pode está se fechando e tudo para ele está se acabando.


Thátylla de O. Teixeira 3º A

Esta imagem representa um homem que está no meio do lixo, sentado sem direção, se rumo. Este homem já faz parte desse meio, por isso ele está ali sem direção.
Esse foco de luz que está acima dele representa um sol, mostrando uma luz para ele sair dessa escuridão, e mostrando que todos que estão no fundo do poço, ainda têm uma luz no fim do túnel.


Ana Cleude 3º B

Essa foto realça a diferença da humanidade que está tendo hoje em dia. Essa diferença é muito crítica para quem é prejudicado, que são aquelas pessoas que não têm como se defender.
Esse homem está com sua vida perdida por causa dos outros que o colocam para baixo. Assim acontece com outras pessoas.
Essa luz que aparece é um dos motivos de está dando uma nova chance para ele refazer sua vida e melhorar desse desconforto.


Francywilhan Melo 3º B

O que podemos ver nessa foto é que tudo no nosso mundo é um verdadeiro “caos”, mas tudo o que se acontece de ruim é tudo culpa de ser humano, fazendo coisas que não agradam ao meio ambiente, vários terremotos, furacões, tempestades, tsunamis e erupções vulcânicas, tudo só ocorre por culpa do homem.
Se nós que tomamos a responsabilidades de zelarmos do mundo quem irá zelar? Porque Deus nos deu essa responsabilidade, e o que estamos fazendo de bom?
Estamos apenas poluindo, poluindo e poluindo, com lixos que passam anos para se decompor, e o mundo, pode acabar primeiro e nós não estamos nem com a preocupação que devíamos estar, por que vários estão tendo a ideia de ir para outro planeta. Que pena, porque o único lugar que iremos ficar é o planeta Terra, até a vinda de Cristo, e enquanto isso, os nossos filhos irão ver o quanto destruímos o nosso planeta sem pensar no futuro, vidas até hoje morrem por causa desta poluição exagerada, que não controlamos.
Em vez de amarmos o mundo como um filho, estamos brincando com ele, como um brinquedinho.
Então vamos cuidar, zelar, amar e recomeçar um novo mundo, sem poluição, sem morte, sem doenças para que possamos viver melhor.

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